Dizem que quando a pessoa escreve se sente mais aliviado, extravasa... Mentira, a escrita é apenas um remédio passageiro para a dor, uma forma de jogar todas as frustrações em cima de uma personagem, imaginando que aquela dor não é sua.
Escrever é apenas um meio de deixar de ser você, por alguns instantes... Você ainda continua sendo você, mas de uma forma diferente, um você desconhecido para si, não que você não se conheça, eu sou apenas mais um cara de palavras confusas e mente inconstante.
Uma vez me disseram que minhas palavras tinham veneno, talvez todas as palavras tenham veneno, apenas dosagens diferentes, talvez esse veneno seja viciante, embriagante, talvez eu queira me embriagar de palavras venenosas, na esperança que esse veneno me consuma por dentro, na esperança de mergulhar em realidades alternativas onde só exista e eu você.
Talvez eu queira fugir, talvez eu queira te ter, talvez eu não queira ser mais o conselheiro, talvez tudo que eu queira é ser o conselho, ser a solução ou o começo de todos os problemas.
Talvez eu seja o masoquista que espera de peito aberto por milhares de flechas atiradas por um cupido, esperando que as flechas me matem, as pessoas morriam de amor, eu quero morrer de amor.
Ou simplesmente... o masoquista que tem medo de expor os seus sentimentos, expor parte de si, a parte que escondo na maior parte do tempo, a parte que ama e quer ser amado, não o irônico, não o alter ego, o homem, apenas.
Talvez o menino que vos escreve tenha se tornado homem, menino-homem, homem-menino, talvez.
Talvez eu seja tão burro a ponto de te perder, ou tão inteligente a ponto de tentar ou os dois ao mesmo tempo, em busca do tempo perfeito, da música perfeita, da hora perfeita, a hora que nunca chega, que está a um segundo de acontecer, SEMPRE.
Talvez eu grite por horas e horas em silêncio, ou admire o manto negro com bolinhas de gases brilhantes a procura de respostas, com um sorriso no rosto e lágrimas que teimam e escorrem dos meus olhos.
Ou talvez eu fique quieto, inerte, olhando o vazio, dizendo palavras sem sons, sorrindo com tristeza, com o coração batendo devagar, cansado, ondas se chocaram violentamente sobre ele, o que antes era uma rocha agora já não existe, foi embora com aquilo que eu achava que era meu, com aquilo que eu era, com aquele que eu seria. Pra sempre sozinho, somente.
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3 comentários:
Lindo texto Wan Man.
Devo dizer que todos somos masoquista, pq queremos morrer de amor, queremos ser atingidos por uma torrrencial de sofrimento.
Lá vai o trecho de um poema(o qual o autor eu esqueçi o nome :p):
"O amor é um ferida que arde e não se sente"
Lindo. Profundo. Adorei.
[ o poeta seria Camões o.õ]
Nossa, que profundo!Adorei!
Eu concordo com o Pedro-Cruz, somos todos masoquistas, querendo morrer de amor, querendo ser atingido por uma onda insuportável de sofrimento.
bjos
Já seguindo
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http://vidadeasas.blogspot.com/
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