domingo, 27 de fevereiro de 2011

Dialogo Amigável | Parte II


Estranhamente prefiro as palavras ditas no silêncio, essa solidão tão normal do Mundo de Quimera.

Olha lá, há um garoto na calçada, o que seria aquela expressão no rosto dele? Estaria chorando? Estaria sorrindo?

Talvez esse ato fosse enigmático, um segundo meio sorriso da Monalisa, um segundo olhar de pavor do Grito.

Talvez ele não estivesse chorando, talvez tivesse apenas escorrendo de seus olhos as lágrimas do céu, que banhavam seu rosto e corpo cansado.

As nuvens roxas e pesadas pareciam quase não se mover, contemplavam aquela quase tristeza e felicidade do garoto, que mantinha seu olhar fixo em um espelho, era um belo espelho, pequeno, com uma moldura prata.

A água se chocava violentamente contra seu corpo, pareciam pequenas adagas tentando cravar suas lâminas frias no corpo exposto, ou milhares de gotas tentando forma-se uma, e abraçar, reconfortar o garoto.

Era uma cena bonita, poderia ter sido uma pintura de Leonardo da Vince ou uma escultura, mas a cena era triste, uma pintura sem vida, ou uma pintura de vidas tristes.

Talvez o garoto estivesse apenas sonhando acordado, mergulhado em pensamentos obscuros, escondido no Mundo de Quimera.

O garoto olhava para cima, ignorando a chuva, estreitava os pequenos olhos amendoados e depois abaixava a cabeça novamente, olhava para o espelho, nele via seu reflexo.

Ao seu lado tinha uma espada, o reflexo já não refletia sua imagem, ele refletia a imagem do que mais desejava, segurava o cabo da espada com firmeza, sentia uma voz ecoando em sua cabeça, chamavam-lhe pelo seu nome, estaria ele voltando a existir? Até agora estava preso no mundo-sem-nome, tinha a espada do lado, mas não tinha coragem de lutar por aquilo que queria, começava a ouvir um barulho repetitivo e agudo, ainda lhe chamavam pelo nome, sentia um mundo a sua volta mudar de forma, as gotas de água formavam objetos ao cair, era familiar, seu quarto talvez, memórias inundavam sua cabeça, lembrara de um dialogo, que existiu apenas em sua mente, no Mundo de Quimera.

O garoto agora estava em uma cama, em posição fetal, seu rosto suava, olhava para o lado e via os ponteiros vermelhos de seu relógio digital, nada havia sido real. Ele ainda não tinha coragem de erguer a espada.
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Quimera no sentido do texto é algo que só existe na imaginação, utópico. =)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


Quase boa noite
Prefiro a noite...
A escuridão camufla minhas lágrimas.
As estrelas me distraem,
A lua me atrai.

Prefiro a noite...
A escuridão me faz pensar como a luz faz falta.
As estrelas brigando entre si,
Elas tentam brilhar mais que as outras.

Prefiro a noite...
Ela alivia o peso da minha consciência
Faz-me perder a segurança
Sem saber onde pisar, tento voar.

Prefiro a noite...
A imensa solidão,
Milhares de pulsares, milhões de planetas
Todos sozinhos.

Prefiro a noite...
Na noite ninguém percebe que sou um anjo sem asas,
E que segura em sua mão um tridente,
E na sua face um sorriso sádico.

Prefiro a noite...
Sob a escuridão todos são iguais
Ninguém vê minha verdadeira forma
Todos são quem realmente é.

Prefiro a noite...
Na noite consigo ouvir melhor meu coração bater
E percebo que ainda existe um no meu peito
Ansioso, teimoso, burro.

Prefiro a noite...
Quando ela se acaba leva consigo meus pensamentos
Apagam-se no ar todas minhas memórias, todas se vão,
Exceto uma...

Não, eu não prefiro a noite...
Ela dissipa e distorce as imagens
Ela me faz ter medo de errar.
Me faz esquecer que sou humano.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dialogo Amigável

Dialogo amigável.

Não fique bravo com essa história, ela não começa com Era uma vez, e nem termina com felizes para sempre, são assim as histórias da vida, o grande teatro da vida... A vida é cruel, não permite que você ensaie as palavras antes de dizer algo, ela lhe permite apenas que você gagueje e hesite, é difícil até dizer eu te amo, mais difícil que pedir desculpas ou implorar perdão, e tai a graça dela.

- Todas as minhas mentiras, sem exceções, são verdadeiras, eu juro.
- Você nunca disse que me amava.
- Eu sempre te disse eu te amo nas entrelinhas, você que nunca percebeu.
- Mas eu queria algo mais concreto.
- O amor não é algo concreto, não é fácil dizer eu te amo, palavras não explicam o que eu sinto.
- Você não demonstrava sentir NADA.
- Não sou normal, demonstro as coisas do meu jeito, escrevia sempre, no meu peito dedicava minhas palavras a você, só pra você, minhas palavras são suas.
- Mas...
- Mas o que? Quem ama aceita da forma que se é, não tenta mudar, achei que perceberia.
- Desde quando...?
- Eu não sei, realmente não sei, e me culpo por isso, amor não é algo que se traça na linha do tempo, o amor chega, e só chega, ele não bate na porta.
- Eu cheguei a sentir algo por você, mas não sei definir bem ao certo o que era.
- Eu também não consigo definir as sensações que invadem meu peito ao te ver ao meu lado, mesmo assim... Mesmo assim eu sei que há algo especial.
- Especial...?
(Longa pausa)
- Sim, talvez especial...
- Mas... Achei que éramos bons amigos, e só.
O garoto abaixa a cabeça, um meio sorriso faz companhia as suas milhões de lágrimas únicas e solitárias.
- Bem, nada realmente é o que parece ser, eu nunca disse que queria ser apenas ser seu amigo, como você pode explicar esse brilho que habita meus olhos quando vejo os seus?
A garota hesita, olha para os lados, pensa em consolar o garoto, seu amigo, seu grande amigo. Os poucos segundos de silêncio pareciam uma eternidade.
- Não quero que me compreenda, e nem que diga que sente o mesmo, por muito tempo te ver a meu lado foi o suficiente para eu existir, viver... Ah, viver é diferente, é quando se vive mesmo, de forma feliz, e isso eu só conseguiria ao teu lado, bem... Não diga nada, apenas sorria, e me deixe viver por alguns instantes.
O garoto agora sorria, e olhava nos olhos da garota, que não sabia o que fazer, e sorriu em resposta, ambos soluçavam, dizer alguma palavra era quase impossível.
- Obrigado, muito obrigado, por alguns instantes, mesmo que pequenos, senti o que era viver. – Disse o Garoto, dando as costas e saindo pela porta com a cabeça baixa, com um meio sorriso e milhões de lágrimas únicas e solitárias lavando seu rosto, a garota estava inerte, não sabia o que fazer, caiu sentada no chão, olhando o garoto ir embora, talvez um amigo, talvez um grande amigo, talvez seu amor, talvez seu amante.
O garoto caminhava quase correndo na chuva que caía, gritando e correndo debaixo da chuva, ele não sabia o que fazer, durante muito tempo, seu único objetivo era conseguir dizer as palavras que acabaram de sair de seus lábios, em sua mente só habitava a imagem dela, ele agora não vivia, não existia, e foi sumindo, gritando e correndo e chorando debaixo da chuva, sumindo, morrendo, gritando e correndo debaixo da chuva, o barulho rítmico de sua corrida, sons abafados, já não gritava, não corria, já não estava debaixo da chuva, já não vivia, já não existia, sua essência havia sumido, seu eu havia sumido.
Não fique bravo com essa história, ela não começa com Era uma vez, e nem termina com felizes para sempre, são assim as histórias da vida, o grande teatro da vida...

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Autor: Wanderly Ferreira (eu -q)

Minha primeira crônica *-*
Exatas 666 palavras, meio tenso :x
Talvez eu escreva a continuação dessa crônica. :D


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Carta Suicida

Agora é a hora das palavras suicidas, palavras que se matam e explodem a cada vez que são ditas, palavras loucas, palavras que soam mais como magia, palavras que SÃO magias, amor, ódio, loucura.

Essa não é mais uma carta comum, essa não é uma carta, são pensamentos soltos, pensamentos loucos, pensamentos poucos, incompletos.

É que seus olhos me fazem perder a razão, me desconcentram, me condenam, me suplicam, me distraem, me dizem muito sobre ti, grandes olhos castanhos que me intimidam, que me fazem querer mergulhar no seu universo e descobrir cada detalhe que faz você ser você.

Grandes olhos castanhos, inseguros, indefesos, grandes olhos castanhos que precisam de uma dose de verdade, uma dose de amor, uma dose de tudo.

Grandes olhos castanhos que despertam em mim o medo, o medo de amar, grandes olhos castanhos, sim... Grandes olhos, que são mais do que aparentam ser, não são apenas meninas dos olhos cor de mel. São meninas dos olhos que me convidam para brincar, de amar e ser amado.

Juro que tentei amputar esses sentimentos, juro que tentei lhe expulsar dos meus sonhos, juro que não queria mais te ter nos meus pensamentos, mas descobri que é impossível, assim como é impossível fugir dos seus olhos.

Na verdade talvez você seja o gosto que eu nunca senti, a boca que nunca beijei, o passado que recusei e o futuro que sempre esperei.

Eu não to escrevendo por escrever, talvez eu esteja escrevendo por que me deu vontade de gritar, mas escrever minha história em versos é mais poético.

Meus olhos só procuram os seus, o sorriso involuntário que surge nos meus lábios, os punhos cerrados e o coração batendo forte, só pra você.

Não consigo evitar seus olhos, não consigo me conter ao te ver sorrir, ou quando ficas com vergonha e sorri sem graça com as mãos no rosto, quando fica irritada e morde os lábios e cerra os punhos.

Eu não quero muita coisa, eu não peço muita coisa, só quero admirar a beleza dos poucos instantes que vejo seus olhos brilharem, só quero sentir o efeito do seu doce sorriso no meu corpo, desfrutar toda a dor que a saudade traz, sentir toda a agonia das palavras não ditas, sentir a agonia de minhas palavras suicidas.

Autor: Wanderly Ferreira

Texto não tão bom quanto o poema do Adrian, mas eu fiz de coração.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Apenas te amo....

Apenas te amo...
Meus pensamentos corrompem a razão
Apenas quando lembro seu sorriso
E me vejo em suas mãos.

Apenas a te olhar.
Mesmo assim agarrado aos seus dedos.
Parado até você voltar.
Meu abraço, meu beijo
Tentam faze–lá esquecer os erros
Dos amores antigos.

Só o seu olhar
Faz-me gamar
Nessa garota que eis.
Como fazer você me amar?
que eu: Apenas um lutador
Posso fazer, alem do que faço
Para conseguir seu amor?

Quero apenas tentar curar
As feridas do seu coração
Feitas por que aqueles, que sem noção
Persistiram em te machucar.
Esse poema nada explica
Se você não notar
O meu olhar que apenas diz: “Quero apenas te amar!”


Feito Por: Adriano Rodrigues. (0zi)


Eu disse que tinha amigos que escrevem melhor que eu :D
Esse foi o texto do grande Adrian õ/

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Quase nada

Papel e caneta na mão, agora é hora de brincar com o branco do papel e jogar palavras escolhidas ao acaso, palavras que não devem ser lembradas, que não devem ser ditas ou lidas, palavras ocas e sem sentido que me fazem próximo e distante de ti, palavras que só constatam a minha incompetência, minha quase inocência, minha quase malícia, quase nada, aliás.

Palavras somente, palavras que mentem falando a verdade, o que seriam as meias verdades? Meias mentiras ou meias realidades? Um meio termo entre isso tudo?

Venho viajando de dimensão em dimensão, fracassando ao acertar, e acertando por fracassar. Saltando de prédio em prédio, nadando no vento e correndo sob a água, mentindo um pouco, mentindo quase nada.

Lendo com os olhos fechados, não palavras, mas pensamentos, não o dos outros, os meus, que também não são muitos, mas estão longe de ser quase nada. Não que essa leitura seja fácil, ler os outros é muito mais divertido, é muito mais fácil.

Olhar nos olhos alheios e descobrir-se um investigador nato, com conselhos na ponta da língua e lágrimas escondidas por trás dos olhos. Conselhos pra todos e pra si quase nada, não que o quase nada seja ruim, não estou reclamando, apenas constatando.

Quem sou eu além do quase louco que detesta ser normal? Quem sou eu além do mero escritor, que escreve muito mal? Quem sou eu? Quem és tu?

Bem, eu sou o cara estranho que grita em voz baixa, quase sussurrando, que chora sorrindo, e que sorri chorando, eu sou o cara esquisito que prefere escrever com um rosto em mente, de que falar com um rosto na frente, e que mesmo que tenha acabado de fazer uma rima, odeia isso, odeia tudo, odeia QUASE NADA.

Eu sou o cara que não tinha intenção alguma de escrever isso, mas o fez, o motivo não sei, acho que já passei da fase do quase louco, e já estou na fase da loucura quase normal, “de poeta e louco todo mundo tem um pouco”, disseram-me isso uma vez, na verdade, disseram-me isso muitas vezes. Acho que esse seria o momento certo de gritar: “- O poeta está vivo, embora esteja louco”. Ou seria o contrário? “- O louco está vivo, embora seja poeta”.

Bem, já sou louco, agora tenho de me tornar poeta, um poeta-louco ou um louco que faz poesia, se bem que os melhores poetas beiram a loucura, como disse um poeta-escritor uma vez “Descobri meu equilíbrio cortejando a insanidade ♪”. Ainda não cortejei a insanidade, ainda. Se bem que não quero o equilíbrio, viver em uma balança inconstante é bem melhor do que um equilíbrio monótono, o medo de cair e a vontade de levantar é bem mais interessante.

De inicio queria fazer um texto parecido com os outros, na verdade acho que textos melancólicos são o meu forte, então, pra tentar fazer desse texto um dos melhores, agora entra em cena o Wan melancólico e me despeço de vocês, quem antes falava era o Wan louco, se bem, que cada parte de mim beira a loucura.

Sem querer fugir do assunto principal: a loucura. Decidi falar sobre a maior de todas elas, a maior de todas as mentiras, a mais bela verdade, a mais louca realidade, sim, é isso que vocês pensaram: o amor!

Ninguém conseguiu escrever sobre o amor na sua mais sublime forma, se bem que acho que não existe amor, mas se existe amor em mim ele é todo e completamente seu: um empréstimo! Nada é para sempre e “o pra sempre sempre acaba” Um dia resolverei não mais amar, se bem que não quero isso agora, deve-se o viver o momento, e o amor é como uma garrafa girando no jogo da verdade, às vezes você quer ser escolhido, outras vezes tem medo. Mas uma hora ou outra a garrafa vai apontar em sua direção e você terá que aceitar, querendo ou não.

Shakespeare e Camões tentaram definir o amor, eu sou apenas um louco com uma loucura quase normal, tentar equiparar-me há alguns dos meus escritores preferidos é uma loucura maior ainda, se bem que não importo, acho que não me importo com muita coisa... Com quase nada.

O amor dói, e aquelas malditas borboletas voando no estômago incomodam bastante, o coração acelerado, as mãos trêmulas, não sei se defini a fome ou tentei definir o amor, se bem que o amor é a fome de alguém, fome de beijos, abraços, amassos, carinho, entre outros pratos. É realmente uma sensação péssima, eu odeio sentir, embora às vezes goste, todo mundo é meio masoquista, todo mundo esconde na gaveta um amor que não deu certo.

Cansei de escrever por hora, quase mil palavras e ainda não consegui expressar UM dos meus pensamentos, talvez eu leve décadas pra conseguir expressar apenas metade desse sentimento louco, desse eu louco.

Devemos enlouquecer de forma saudável, devemos enlouquecer de forma humana, enlouquecer amando. Gostaria de enlouquecer junto a mim?

E se eu te desse alguns milhares de motivos pra sorrir, isso me deixaria mais próximo de ti?

E se só por hoje eu decidisse sussurrar que te amo no seu ouvido, você diria eu te amo em resposta?

E seu corresse até a sua casa, e te roubasse um beijo, você me abraçaria?

E se eu dissesse: Baby, o louco aqui está apaixonado, você sorriria comigo?

E se eu não falasse nada, não quisesse nada, você me convenceria do contrário?

Explicação / Novidades

Quase um mês sem postar, os motivos são basicamente um problema como meu provedor de internet e uma abstinência de idéias :D

Vou estar criando uma nova seção, com a tag #outrosautores, tenho amigos que escrevem muito bem, melhor que eu na verdade, e estarei trazendo os textos deles para o blog.