Estranhamente prefiro as palavras ditas no silêncio, essa solidão tão normal do Mundo de Quimera.
Olha lá, há um garoto na calçada, o que seria aquela expressão no rosto dele? Estaria chorando? Estaria sorrindo?
Talvez esse ato fosse enigmático, um segundo meio sorriso da Monalisa, um segundo olhar de pavor do Grito.
Talvez ele não estivesse chorando, talvez tivesse apenas escorrendo de seus olhos as lágrimas do céu, que banhavam seu rosto e corpo cansado.
As nuvens roxas e pesadas pareciam quase não se mover, contemplavam aquela quase tristeza e felicidade do garoto, que mantinha seu olhar fixo em um espelho, era um belo espelho, pequeno, com uma moldura prata.
A água se chocava violentamente contra seu corpo, pareciam pequenas adagas tentando cravar suas lâminas frias no corpo exposto, ou milhares de gotas tentando forma-se uma, e abraçar, reconfortar o garoto.
Era uma cena bonita, poderia ter sido uma pintura de Leonardo da Vince ou uma escultura, mas a cena era triste, uma pintura sem vida, ou uma pintura de vidas tristes.
Talvez o garoto estivesse apenas sonhando acordado, mergulhado em pensamentos obscuros, escondido no Mundo de Quimera.
O garoto olhava para cima, ignorando a chuva, estreitava os pequenos olhos amendoados e depois abaixava a cabeça novamente, olhava para o espelho, nele via seu reflexo.
Ao seu lado tinha uma espada, o reflexo já não refletia sua imagem, ele refletia a imagem do que mais desejava, segurava o cabo da espada com firmeza, sentia uma voz ecoando em sua cabeça, chamavam-lhe pelo seu nome, estaria ele voltando a existir? Até agora estava preso no mundo-sem-nome, tinha a espada do lado, mas não tinha coragem de lutar por aquilo que queria, começava a ouvir um barulho repetitivo e agudo, ainda lhe chamavam pelo nome, sentia um mundo a sua volta mudar de forma, as gotas de água formavam objetos ao cair, era familiar, seu quarto talvez, memórias inundavam sua cabeça, lembrara de um dialogo, que existiu apenas em sua mente, no Mundo de Quimera.
O garoto agora estava em uma cama, em posição fetal, seu rosto suava, olhava para o lado e via os ponteiros vermelhos de seu relógio digital, nada havia sido real. Ele ainda não tinha coragem de erguer a espada.
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Parte II do Diálogo Amigável
Quimera no sentido do texto é algo que só existe na imaginação, utópico. =)



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